Inadimplência: o endividamento das famílias brasileiras

A crise econômica brasileira tem se arrastado há bons longos anos e provocado problemas econômicos substanciais para toda organização produtiva e de serviços do país. O núcleo difusor dessa crise e seus efeitos distributivos estão assentados em duas variáveis: a baixa do ciclo das commodities, que representam a base sustentadora da balança comercial brasileira; e o dramático processo de desindustrialização pelo qual o Brasil tem passado e que, a esse ritmo, leva a indústria nacional para seus últimos suspiros.

Esse cenário de crise atingiu em cheio a maior parcela da população brasileira, que do pleno emprego em 2013 viu o desemprego galopar a um ritmo frenético e atingir 12% da população economicamente ativa. Em termos práticos, o desemprego solapou a renda das famílias e impossibilitou muitas pessoas de cumprirem com seus compromissos econômicos. Resultado: a inadimplência e o endividamento das famílias brasileiras.

Atualmente, a quantidade pessoas com o nome comprometido na praça extrapola a casa dos 60 milhões de brasileiros. Essa realidade está impossibilitando a recuperação econômica do Brasil, que tem, historicamente, no consumo das famílias seu principal pilar de sustentação. A consequência fundamental disso é a continuidade da crise econômica para os setores dos serviços e da produção, porque a inadimplência das famílias endividadas inibe a dinâmica cíclica de renda, consumo e geração de riqueza.

Quais os efeitos dessa situação para a boa saúde de diversos setores da economia brasileira? É exatamente o que veremos no decorrer dessa série de artigos. Para iniciarmos, vamos observar o impacto da inadimplência no setor de serviços de plano de saúde.

Até a próxima!

Autor: Mateus Brunetto Cari
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