Crise e inadimplência: os impactos nos planos de saúde

Vimos em nossa primeira conversa como o endividamento das famílias e a inadimplência pesam sobre a economia brasileira, provocando processos de desaquecimento econômico e, consequentemente, de crise em diversos setores, especialmente aqueles produtivos e de serviços.

Hoje, a proposta é observar como esse cenário de crise, que tem como efeito prático na ponta a inadimplência das famílias, tem atingido os serviços de plano de saúde. Primeiro, por uma questão de custos de oportunidade, os chamados trade-offs, as pessoas precisam fazer escolhas, abrindo mão de bens ou serviços em detrimento de outros. Ocorre que, em momentos de crise, os indivíduos terão, fatalmente, que passar por mais situações de trade-offs e, na esteira desse processo, muitos  bens e serviços passam a ser preteridos.

A conjuntura atual mostra claramente esse processo de escolhas acontecendo: desde o estopim da crise em 2015, os serviços de planos de saúde têm presenciado queda vertiginosa em seu contingente de clientes e muitos adeptos aos planos têm faltado com seu compromisso de pagamento.

Segundo dados de 2019 da Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), até a crise acima referida, um quarto da população brasileira aderia a planos de saúde complementar. Com o deflagrar da crise, mais de três milhões de brasileiros abdicaram da continuidade de pagamento de plano de saúde, o que tem representado um desafio para o setor.

A crise escancarou outra variável que tem incidido sobre o setor: o envelhecimento da população e uma taxa de natalidade menor. Ocorre que o financiamento sustentável dos planos de saúde depende da participação de parcela mais jovem da população. Com a compressão do orçamento das famílias, os mais jovens ou optam por cancelar, ou ficam inadimplentes com os planos de saúde.

A crise e a inadimplência, associados ao envelhecimento da população, têm reverberado um problema substancial para os serviços de plano de saúde. Saídas para essa conjuntura apontam para o caminho da conscientização dos mais jovens a considerarem os planos de saúde um serviço essencial para a vida cotidiana, diminuindo, desse modo, a incidência de trade-offs sobre o setor.

Na sequência vamos abordar como a crise e a inadimplência impactam sobre o setor de ensino privado.

Ate a próxima!

Autor: Mateus Brunetto Cari
Currículo Lattes